Negócios

60% das empresas brasileiras morrem antes dos cinco anos e especialista destaca crise de liderança

Cerca de 60% das empresas no Brasil encerram suas atividades antes de completar cinco anos, enquanto o endividamento corporativo já ultrapassa a marca de R$ 200 bilhões. Os dados fazem surgir o questionamento sobre a ocorrência de uma “crise de liderança” nas pequenas e médias empresas brasileiras cada vez mais evidenciada por problemas recorrentes como decisões mal estruturadas ou mesmo omissões que caracterizam falhas de gestão e impactam diretamente a sustentabilidade dos negócios.

Para Luiz Portal, palestrante, especialista em formação de líderes e sócio da ViDi, o ponto crítico vai além do erro pontual. “Pequenas empresas não quebram apenas por decisões equivocadas, mas pela ausência de preparo de quem decide. Liderança ainda é tratada como consequência do cargo, uma obrigação do chefe, e não como uma competência que precisa ser desenvolvida, mas a verdade é que o chefe morreu”, argumenta.

O problema não é a decisão, mas sim quem decide
Segundo o especialista, em estruturas menores, é comum que a liderança esteja concentrada em uma única pessoa, geralmente o fundador, que acumula funções operacionais e estratégicas. Ele explica que é comum que essa figura lidere com base na experiência e no sentimento de dono, mas isso não garante o que é necessário para a saúde do negócio. “A falta de clareza, método e preparo para tomada de decisão transforma quem deveria ser líder no gargalo do crescimento”, pontua.

Diante disso, Luiz Portal afirma que esse cenário reforça uma mudança estrutural no mercado. “O modelo do chefe, centralizador e reativo, não responde mais à complexidade atual. O que vemos é uma geração de empresas operando com base em improviso, sem estrutura de liderança consistente. Por isso, respeito: o chefe morreu.”, destaca.

Não por acaso, a consequência aparece nos chamados custos invisíveis com retrabalho, baixa produtividade, rotatividade de equipes e perda de oportunidades. Dados recentes também apontam que, somente em 2025, cerca de 1,9 milhão de empresas encerraram suas atividades no país, evidenciando a fragilidade da gestão em ambientes de alta pressão.

Decidir bem é uma habilidade, não um instinto
Na avaliação do mentor, liderar exige mais do que experiência prática. “Tomar decisão sob pressão, comunicar com clareza e sustentar direção são habilidades que precisam ser desenvolvidas. Isso carece de instrução e treinamento. Sem isso, a empresa oscila, perde eficiência e deixa de crescer”, afirma.

Mais do que isso, Luiz Portal destaca que a formação de líderes passa por um processo contínuo, que envolve identidade, responsabilidade e capacidade de gestão de pessoas, todos aspectos frequentemente negligenciados em ambientes empresariais focados apenas na operação. Diante disso, ele tem se dedicado à função de mentor desse novo perfil de liderança, empregando o conhecimento e experiência acumulados ao longo dos anos trabalhando ao lado de organizações públicas e privadas no Brasil.

Relação entre crescimento do negócio e evolução do líder
Na visão do professor e mentor, as empresas não travam apenas por falta de mercado ou oportunidade, mas por limitações na sua estrutura de liderança. Isso porque em um cenário de instabilidade econômica e alta competitividade, a capacidade de decidir com clareza e consistência se torna um diferencial estratégico.

“Não é o tamanho da empresa que determina sua capacidade de crescimento, mas a maturidade de quem lidera. Empresas pequenas não devem esperar crescer para liderar bem, elas crescem justamente porque aprendem a liderar melhor. Por tudo isso, é preciso matar o chefe e formar mais líderes”, conclui Portal.