Carreira

Crescimento da IA em empresas expõe lacuna na formação de CEOs

A crescente presença da inteligência artificial no ambiente corporativo tem ampliado a capacidade de análise e acelerado a tomada de decisões dentro das empresas. Segundo dados de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o uso dessas ferramentas aumentou 163,2% entre 2022 e 2024. De fato, entre organizações industriais a presença da IA saltou de 16,9% para 41,9% nesse período. Com uso combinado de diferentes tecnologias, os dados mostram que há um volume cada vez maior de informações por trás do processo de tomada de decisões estratégicas.

No entanto, esse avanço também tem evidenciado a formação insuficiente de CEOs para lidar com cenários de alta complexidade como uma fragilidade estrutural. “As novas tecnologias e ferramentas colocaram nas mãos do CEO uma quantidade de informação absurda, mas isso tem favorecido um cenário utópico de que ele pode ser infalível, quando, na verdade, a capacidade fundamental é a de saber aprender e se reinventar o tempo todo, especialmente em momentos de falha”, pontua Ibrahim Boufleur, CEO que transformou uma pequena operação em uma empresa bilionária, mas não sem enfrentar desafios e contratempos no processo. Atualmente, o especialista tem se dedicado a mentorar outros empresários que buscam trilhar o mesmo caminho.

Para ele, mais do que dominar ferramentas, o desafio atual está na capacidade de conduzir negócios em um ambiente onde a informação é abundante, mas a clareza estratégica nem sempre acompanha esse ritmo. Afinal, tecnologias avançadas ampliam a capacidade analítica e permitem decisões baseadas em dados em tempo real, mas Ibrahim pondera que há muitos estágios de desenvolvimento a serem vencidos primeiro.

O caminho da operação até o comando
Como o empresário conta, ele passou por diferentes ciclos empresariais ao longo das últimas duas décadas, desde a construção de negócios do zero à expansão, passando por momentos cruciais de reestruturações e crises. Diante disso, Ibrahim Boufleur argumenta que o principal ponto de ruptura na jornada de um empresário está na capacidade de fazer a transição do operacional para o estratégico.
“Durante muito tempo, o empresário está dentro da operação, resolvendo tudo. O problema é que, em algum momento, ele precisa sair disso para liderar. E muitos travam exatamente aí, porque nunca foram preparados para esse papel”, explica. Como ele destaca, ser bom no operacional não garante o preparo suficiente para um ser um bom executivo.

Importância do aprendizado contínuo
De fato, com acesso a cada vez mais ferramentas, empresários têm buscado a fantasia de repetir o sucesso de grandes corporações multinacionais. Porém, Boufleur reforça que a formação de um CEO passa muito mais por erros, ajustes e desenvolvimento contínuo do que por narrativas idealizadas de triunfo. “Empreender, especialmente no Brasil, envolve enfrentar instabilidade, pressão e decisões difíceis. Não existe construção sólida sem passar por isso, não importa quais ferramentas você tem nas mãos. O aprendizado vem da prática, mas precisa ser estruturado”, destaca.

Enquanto soluções como inteligência artificial e outras tecnologias potencializadas por ela ganham posição de destaque nas organizações, o mentor nota uma mudança clara na gestão de empresas. “Temos um ambiente cada vez mais orientado por dados e isso fez com que a formação de CEOs deixasse de ser um diferencial para passar a ser um fator crítico para a sustentabilidade e o crescimento. Nenhuma ferramenta vai salvar aquele negócio que não conta com alguém realmente preparado para comandar”, completa.

Nesse cenário, Ibrahim tem se dedicado a auxiliar outros empresários a se prepararem para encarar esse cenário cada vez mais complexo com o aprimoramento das habilidades necessárias. “Durante 20 anos busquei muito conhecimento para agregar valor, para ser capaz de extrair o melhor de equipes e transformei um negócio pequeno em uma empresa bilionária, mas não estive imune às mudanças no cenário. Avancei tanto graças à obstinação e dedicação quanto ao suporte e envolvimento da minha família, que também favoreceram o desenvolvimento pessoal. Hoje sou capaz de prever situações que podem afetar outros empresários não por mero acaso, mas por experiência acumulada. É isso que estou colocando à disposição desses executivos”, conclui.